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Curiosidades

13/10/2018 08:56

75 crianças aguardam adoção em MT; fila conta com 906 pretendentes

Maioria das crianças e adolescentes que aguardam adoção em Mato Grosso possuem algum tipo de deficiência e tem idades entre 7 e 17 anos.

Em Mato Grosso, há pelo menos 906 pessoas na fila de adoção e 75 crianças e adolescentes disponíveis em casas de abrigo mantidas pelo Estado ou instituições privadas. A maioria dos aptos à adoção possuem idades entre 13 e 17 anos. Os dados constam no Relatório de Adoção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

De acordo com a secretária-executiva da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-MT), Elaine Zorgetti, muitos reclamam que “a fila

“Ultimamente temos feito adoção de adolescentes com 12, 13 anos de idade. As pessoas estão mais abertas. Cinco anos atrás a maioria queria até 3 anos, sexo feminino e de cor branca”, afirma.

não anda”, mas a situação está relacionada à quantidade de crianças e ao perfil exigido pelos pretendentes.

“A maioria ainda quer bebês de 0 até 3 anos. Mas temos poucas crianças disponíveis com essa faixa etária”, destaca.

Apesar dos bebês ainda serem preferência, Elaine observa que nos últimos cinco anos a Ceja realizou muitas adoções tardias, que envolvem adolescentes e crianças com algum tipo de deficiência.

“Ultimamente temos feito adoção de adolescentes com 12 e 13 anos de idade. As pessoas estão mais abertas. Cinco anos atrás, a maioria queria até 3 anos, sexo feminino e de cor branca. Os pretendentes ainda têm essa preferência por bebês, mas sexo e cor são indiferentes”, afirma.

A secretária da Ceja acredita que a mudança de comportamento dos pretendentes tem a ver com as campanhas de conscientização promovidas pelo Poder Público, em conjunto com os meios de comunicação. 

“Hoje quem adota é visto como uma pessoa que quer dar amor e muito desse altruísmo foi incentivado pela mídia através das campanhas”.

RepórterMT/Reprodução

Gleide Santos

 Juíza da Vara Especializada da Infância e da Juventude de Cuiabá, Gleide Santos.

O aumento das adoções tardias também é comemorado pela juíza Gleide Bispo Santos, que desde 2012 atua na 1ª Vara Especializada da Infância de Juventude de Cuiabá.

Na Capital, há 20 crianças disponíveis, sendo que a maioria possui mais de 7 anos ou tem algum tipo de deficiência física ou neuropatia (problema relacionado aos nervos que em muitos casos afeta os movimentos do paciente).

“A adoção de crianças deficientes é mais difícil. Mas nos últimos anos conseguimos muito êxito com esse perfil. É um trabalho incessante que fazemos em busca dos pais que tenham o perfil para esse tipo de criança. A gente não desiste deles”, ressalta a magistrada.

Destaca que recentemente houve adoções de crianças com HIV positivo, com autismo, além de uma adolescente neuropata de 15 anos, que não anda e não fala. 

“A questão da demora é que as pessoas preferem bebês ou querem menina ou só menino. Com esse perfil um pretende pode ficar de dois a três anos na fila", explica a juíza.

A juíza também garante que ainda existem alguns mitos em torno da adoção. As críticas mais comuns são de que o processo é difícil e extremamente demorado, e que há muitas crianças nos abrigos esperando por uma família. 

“A questão da demora é que as pessoas preferem bebês ou querem menina ou só menino. Com esse perfil um pretendente pode ficar de dois a três anos na fila. As pessoas também acreditam que as crianças nos lares estão aptas, mas não estão. Hoje eu tenho 67 crianças e adolescentes [em Cuiabá] acolhidos. Desses, apenas 20 estão aptos à adoção”, salienta a magistrada.

Atualmente, a Vara da Infância e Juventude de Cuiabá possui 2.900 processos e apenas 60 estão relacionados à adoção. Segundo a magistrada, o foco está nas ações de saúde que representam mais de 50% dos casos. Normalmente os pedidos são de remédios e cirurgias.

“A adoção é a parte mais prazerosa que a gente tem. É uma gota no oceano, mas é de uma grande satisfação quando conseguimos um lar para essas crianças”, finaliza.

Acolhidos e aptos

Atualmente há 612 crianças e adolescentes em 79 casas de abrigos em Mato Grosso. No entanto, apenas 75 estão disponíveis à adoção. Elaine explica que o fato de o menor estar em uma instituição de amparo não significa, necessariamente, que ele possa ser adotado.

Detalha que na maioria dos casos é necessário o recolhimento por motivos de abandono, risco de vida ou violência doméstica. Segundo ela, as crianças são acolhidas provisoriamente na instituição e podem retornar à família de origem ou para a “família extensa”, que seriam os avós, tios ou primos, por exemplo.

Caso seja verificado que os familiares não têm condições de ficar com o menor, o Ministério Público Estadual (MPE) entra com o processo de destituição do poder familiar.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que a destituição ocorra em 120 dias. Mas, Elaine observa que esse prazo é muito difícil de ser cumprindo devido aos trâmites processuais. 

“Os pais, às vezes, não são encontrados e a Justiça precisa fazer uma busca para intimá-los. Há situações em que é preciso fazer exame de DNA e também um relatório psicossocial da criança. Só depois de transitado e julgado a sentença, o menor fica disponível à adoção”, explica.

Confira na íntegra os dados sobre adoção em MT AQUI e AQUI

 

REPORTERMT


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